sexta-feira, 4 de abril de 2014

Hoje o que me dói é a desilusão

Uma semana sem escrever e parece que vivi um mês sem vir aqui. Já chorei dias inteiros, já senti raiva, já te desejei o pior, já tive demonstrações de amizade incríveis, já tive opniões imparciais que me mostraram que não estava maluca (ao menos isso), se calhar passei vários estágios do "luto". Sim, porque isto é um luto. A pessoa que tu eras deixou de existir, vejo agora. Ou talvez tenhas sido sempre essa pessoa mas só agora te revelaste, fica-me a dúvida. Do que não me fica dúvida é na pessoa que te tornaste, porque quis a vida que eu visse as minhas costas e, deixa-me dizer-te, não gostei do que vi. A forma como reduzes quase uma década de relação faz-me pensar que pouco ficou para além do teu ego. O engraçado é que para mim ainda é surreal ter essa ideia de ti, de quem esperava ponderação e sobretudo respeito. Disseram-me que as relações se mostram no fim e não no princípio, mas se assim é, não sei o que fomos. Porque afinal, pouco preservaste do "nós" que um dia fomos. E hoje não sei quando foi afinal esse "dia".

quarta-feira, 26 de março de 2014

Gosto de ti

Dava tudo para voltar atrás ou poder arrancar o coração do peito e deixar de sentir. Sinto-me numa ponte cujos pilares ruíram, sozinha e sem um sítio para onde ir. Desculpa-me o dramatismo mas acho que não sei viver sem ti. Em que tipo de pessoa me transformei? E agora, como recomeço?

O primeiro dia

O meu nome não é Sophia mas neste momento procuro a sabedoria necessária para saber viver (ou sobreviver?) sem ti. Preciso de tirar a dor que tenho dentro de mim, toda a desilusão, todo o aperto que sinto no peito. Por isso criei o Coração sem Imagens. Porque talvez um dia seja feliz.


Coração sem Imagens

Deito fora as imagens.
Sem ti, para que me servem
as imagens?

Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento,
que está em qualquer parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.

Raúl de Carvalho